Anne Carson venceu o Prémio Nobel da Literatura.

A poetisa, ensaísta, tradutora e professora canadiana de 76 anos é a 19.ª mulher, de 123 autores, que já receberam o Prémio Nobel da Literatura. A academia sueca descreveu a obra de Anne Carson como “ousada e inventiva que, em diálogo com a tradição clássica, cria novas formas para a literatura contemporânea.” E acrescentou que “ao longo de toda a sua carreira, Anne Carson combinou a escrita poética com o trabalho de tradução e o ensino em várias universidades. Quase toda a sua produção literária se centra no cruzamento entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o anseio do poeta por novos significados. Ela própria identificou a etimologia das palavras como o ponto de partida de toda a sua obra”.
Desde muito jovem, interessou-se e estudou a língua e a literatura gregas, na sua opinião, os autores antigos “estão na origem das coisas que depois cresceram e deram origem às árvores onde agora vivemos — são frescos, as ideias ainda têm orvalho. E, milhares de anos depois, as nossas ideias ainda guardam algo disso.”
Em Portugal estão publicadas as seguintes obras da autora: Eros, Amargo e doce; Autobiografia do vermelho; Águalisa; Homens nas horas vagas; Vidro, Ironia e Deus; A beleza do marido e Antigotriz. Um excerto deste último livro:
a tarefa da tradutora de antígona
Cara Antígona:
o teu nome em grego quer dizer qualquer coisa como “contra o nascimento”
ou “em vez de ter nascido”
o que existe em vez de ter nascido?
não é que queiramos perceber tudo
ou mesmo perceber alguma coisa
queremos perceber outra coisa






