Jornal CreAção nº47

Já saiu o jornal CreAção! Com 56 páginas, contou com uma equipa de 14 jornalistas efetivos (11 alunos e 3 professores) e 55 colaboradores, alunos e professores.

Aqui ficam os Temas de Capa e o Editorial…

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Esta é uma edição mista, em tempos “normais” e “anormais”… O acesso à escola foi interdito, mas a escola continuou e alunos e professores continuaram a pensar, a resolver problemas, a escrever, a contar e a ler histórias. Porque somos humanos, porque precisamos de histórias para nos inventarmos e reinventarmos e precisamos todos que esta história tenha um final feliz…está difícil, está a ser muito exigente para todos. A escola precisa de olhares, de sorrisos, de presença. Máscaras deixemo-las para o teatro, para o drama pessoano, nós queremos ver-nos, sem medo, sem hesitações. Precisamos da conversa, do diálogo, da presença física, do abraço.
Em tempo de pandemia a biblioteca não fechou, nem fisicamente (assim que foi possível esteve aberta para apoiar os alunos do ensino secundário) nem virtualmente. O blogue esteve vivíssimo com as histórias da Teca que desencadearam criativas e divertidas atividades, “A menina do mar” não se perdeu, reinventou-se num formato diferente (vídeo livro). Via plataforma zoom, o “Chá com Letras” não deixou de se realizar, Desconhecido nesta morada foi a obra que despoletou uma enriquecedora discussão sobre o comportamento humano e as condicionantes socioeconómicas que o moldam.
Os nossos alunos mais crescidos foram interpelados a refletir sobre estes tempos, escrevendo sobre a pandemia e formas de mudar o mundo e os mais pequeninos do 6.º ano foram desafiados a refletir em conjunto sobre as suas origens, tradições e a importância que a família tem na identidade de cada um. Mas os textos não se constroem apenas pela palavra, a imagem é também expressão do tempo e os alunos de artes do 12.º ano recriaram graficamente estes dias de quarentena e as novas rotinas que ela forçou a criar.
Quando estávamos na escola e podíamos sair, fomos até Itália, no âmbito do projeto Erasmus +, uma experiência extremamente enriquecedora que nos deu mais mundo, mais paisagens, mais afetos, mais consciência ambiental e cívica e mal imaginávamos que esta zona de Itália seria a primeira a dar o grito de alerta numa Europa ameaçada. A viagem à Roménia foi cancelada, mas havemos de lá ir! Outras viagens foram infelizmente adiadas como a visita a França ou ao sudoeste alentejano, mas ainda pudemos dar um salto a Portalegre para mais uma sessão do Parlamento Europeu Jovem que selecionou três dos nossos alunos para a sessão nacional a realizar-se…para o ano. A feira das ciências e o sarau desportivo, a representação do grupo de teatro T. Com foram outros grandes adiamentos… mas cá vos esperamos! Interessa lembrar o que se realizou: a apresentação de propostas para Orçamento participativo Jovem de Cascais; a Semana dos Afetos ( nunca imaginámos que aqueles abraços tinham de durar tanto tempo); a fase concelhia do Concurso Nacional de Leitura, com mais uma vitória ( André Pina) e um adiamento ( fase distrital).
Porque a leitura e os seus sentidos fazem muito sentido continuámos os dez minutos a ler, divulgamos livros entre os mais pequenos e mais crescidos, o projeto Viva a Biblioteca continuou a fazer crescer os nosso meninos enquanto cidadãos, o Projeto livro de leitura do 4.º ano fez da expressão escrita uma rotina e um prazer, a banda desenhada animou todo o agrupamento, e não esquecemos a solidariedade com uma recolha de livros para Moçambique porque não basta debater temas cruciais como Transformar o nosso mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento sustentável( Encontro Regional da Rede das Escolas Associadas da UNESCO em que o AEFGA participou) , há que agir, participar nessa transformação.
É para isso que trabalhamos tentando responder a José Tolentino Mendonça, ( jornal Expresso de 18.04.2020) quando nos interpela sobre aquilo em que nos tornaremos como indivíduos e comunidades. Queremos que os alunos AEFGA compreendam “que estamos no mesmo barco e que só há futuro na cooperação e na implementação de outros modelos de existência coletiva” e que face ao dilema moral “nós ou eu” optem pela primeira pessoa do plural que somos e que precisamos de ser hoje, mais do que nunca.

Dia Mundial dos Oceanos – 8 de junho

Vamos celebrar o oceano!

Vamos tomar consciência do papel crucial que desempenha nas nossas vidas e ajudar a protegê-lo.

MAR SONORO 

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Dia Mundial do Ambiente – 5 de junho

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, vamos todos refletir sobre o momento atual e repensar as nossas ações em relação ao meio ambiente.      

“é nas nossas mãos que está agora não só o nosso próprio futuro, mas o de todos os outros seres vivos com quem partilhamos a terra”  David Attenborough,

Sabe mais em: https://en.unesco.org/commemorations/environmentday

  Agora mesmo – Manuel Alegre, in Chegar Aqui

A Terra gira e nós também

A Terra morre e nós também
Não é possível parar o turbilhão
Há um ciclone invisível em cada instante
Os pássaros voam sobre a própria despedida
As folhas vão-se e nós também.
Não é vento

É movimento fluir do tempo amor e morte
Agora mesmo e para todo o sempre.

 

Semana Internacional de Educação Artística – 25 a 30 de Maio

A Semana Internacional de Educação Artística, promovida pela UNESCO, visa promover  o reconhecimento  da importância da educação artística na comunidade internacional  e reforçar o seu contributo para a promoção  da diversidade cultural, o diálogo intercultural e a coesão social.

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Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento – 21 de Maio

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Mensagem de Audrey Azoulay – Diretora-Geral da UNESCO,

O Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento é, este ano, celebrado num momento de incerteza e de preocupação.
O encerramento de espaços públicos, instituições culturais, salas de espetáculo e concertos levou, para muitos, à contração do espaço cultural e ao refúgio no seu íntimo.
Felizmente, os meios técnicos que estão hoje ao nosso alcance permitem, aqueles que têm a sorte de poder beneficiar deles, compensar a estreiteza dos espaços confinados. Assistimos assim ao florescimento de iniciativas que reinvestiram as práticas culturais em todo o mundo, destacando a sua grande riqueza. Com tantas ações combinadas, iniciativas originais e criatividade, este tempo de paragem imposta tem mostrado o que faz uma das nossas riquezas enquanto humanidade: a nossa diversidade.
Se a COVID-19 não conseguiu acabar com o diálogo entre culturas, as consequências desta crise a longo prazo, nomeadamente económicas, poderão ser muito prejudiciais para a diversidade. Os períodos de crise são, de facto, propícios à concentração e uniformização. A ameaça está neste perigo insidioso.
Sem um apoio importante, desaparecerão estruturas, perder-se-ão oportunidades de provocar e de ouvir essas formas de ver e de sentir, a diversidade cultural poderá ver-se diminuída, prejudicando a humanidade.
Temos, portanto, sem demora, de proteger esta diversidade, antes que ela desapareça. Por este motivo, a UNESCO lançou o movimento ResiliArt, cujo objetivo é encontrar formas de promover a proteção e a promoção da diversidade cultural neste momento difícil. Reunindo artistas, profissionais da cultura, governos, organizações não governamentais e o setor privado para refletirem juntos sobre as repercussões da pandemia, é o futuro da diversidade cultural que se desenvolve através da inteligência coletiva e da construção conjunta.
A atual crise deve conduzir a uma tomada de consciência e ser acompanhada de novos esforços, para que possam perdurar e desenvolver-se formas culturais variadas e florescerem estruturas culturais, para as quais a crise trouxe à luz do dia dificuldades que, na realidade, em muitos casos, já estavam presentes anteriormente.
Neste dia 21 de maio, Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, a UNESCO lança um apelo a todas e a todos: juntos, vamos celebrar e apoiar a diversidade cultural, que faz a singularidade da nossa humanidade.

5 de Maio – Dia Mundial da Língua Portuguesa

Para assinalar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, escolhemos a versão portuguesa da mensagem  de Audrey Azoulay, Diretora-geral da UNESCO

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…”Minha pátria é a língua portuguesa”, como escreveu o grande poeta Fernando
Pessoa na sua obra-prima, O Livro do Desassossego. Esta “pátria” tem hoje mais
de 265 milhões de falantes, o que a torna a língua mais falada no hemisfério sul.

Assim, a língua portuguesa tende para a universalidade, fervilhando de criatividade
em todas as latitudes, de Angola ao Brasil, de Portugal a Moçambique, de Timor Leste a Cabo Verde…

(excerto da mensagem de Audrey Azoulay)

46 anos de Abril

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Foram dias foram anos a esperar por um só dia.
Alegrias. Desenganos. Foi o tempo que doía
com seus riscos e seus danos. Foi a noite e foi o dia
na esperança de um só dia.
Manuel Alegre

Foi há 46 anos que Portugal e o mundo despertaram ao fim de quarenta e oito anos de uma grande noite opressora, para uma madrugada libertadora. Esta mudança resultou da coragem e determinação de um grupo de militares, os Capitães de Abril, que, através de uma revolução ímpar História mundial, conseguiram aniquilar o regime opressor e devolver aos portugueses a Liberdade, a Democracia, a Igualdade a Solidariedade (valor humano que tanto sentido faz no momento que vivemos), a justiça social, a tolerância e a Paz! Que este propósito nunca se extinga da memória colectiva dos portugueses!

Exposições na ESFGA

Não percas:

O 25 de Abril” contado às crianças – https://www.youtube.com/watch?v=-SV1EBNYup8

Noticiário da RTP no 25 de Abril de 1974, após o MFA ter ocupado as instalações da Rádio de Televisão Portuguesa – https://www.youtube.com/watch?v=N-PS3V5Hrek

Para saberes mais sobre o 25 de Abril:

Associação do 25 de Abril – https://a25abril.pt/

Centro de Documentação do 25 de Abril da Universidade de Coimbra – http://www.cd25a.uc.pt/

22 de abril – Dia Mundial da Terra

s   Beijei a Terra – Sophia de Mello Breyner Andresen

Beijei a terra com os meus olhos, a minha boca e os meus dedos
Enrolei-a a mim em círculos inumeráveis
E em contemplações intermináveis
Dissolvi-me nos seus segredos

(Inédito publicado pela primeira vez na última antologia poética de Sophia, editada em Fevereiro de 2018)

 

22 de abril (4.ª feira) – Dia Mundial da Terra

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Desde há cinquenta anos que o Dia da Terra, também conhecido por  Dia do Planeta Terra ou Dia da Mãe Terra, é comemorado anualmente no dia 22 de abril, com o intuito de sensibilizar para a importância e necessidade de preservar  dos recursos naturais, o ambiente e a sustentabilidade do nosso planeta, sob pena de pôr em causa a continuidade de espécies na Terra.

Para sinalizar e celebrar os princípios inerentes à criação desta efeméride, a biblioteca escolar informa que o canal Nathional Geographic, irá apresentar no dia 22 de abril, às 22:10, a estreia mundial do documentário  “Jane Goodall: The Hope”.

O documentário irá salientar  a acção e o legado da cientista e ativista Jane Goodall, durante quatro décadas dedicadas a transformar o ambiente, o bem-estar animal e a conservação através de abordagens inovadoras, revelando como se tornou um ícone internacional.

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https://www.natgeo.pt/programacao#schedule=ngc/04/22/2020

 

 

Luis Sepúlveda – Uma pequena homenagem a um grande escritor

Abril de 2020, o mundo em quarentena é confrontado com a morte de Luis Sepúlveda. O autor de O Velho que Lia Romances de Amor, um ativista político e social, na sua pátria chilena, um Homem de ideais, de lutas e geografias diversas, acabou por tombar vítima desta pandemia que nos tolhe.
Numa vida cheia de História e de histórias para contar, Sepúlveda descobriu na literatura a sua vocação. Gostava, sobretudo, de escrever contos e de contar a história dos perdedores, dos que sempre saem a perder no caminho para as vitórias, que a alma e o coração pedem.
Na sua obra, composta por mais de trinta títulos, entre policiais, fábulas, romances, contos, crónicas e histórias infantis, as suas palavras transmitem uma carga emocional e humana muito grande, através da preservação da memória pessoal e coletiva, seduzindo e conquistando os seus leitores, gerando um verdadeiro “ponto de encontro”, entre quem escreve e quem lê.
Portugal foi muitas vezes o seu ponto de encontro, onde fez leitores, amigos, recebeu prémios, concedeu autógrafos, participou e organizou eventos literários (Correntes d´Escrita), assistiu à publicação dos seus livros na língua de Camões e à integração de alguns deles no catálogo do Plano Nacional de Leitura.
Neste contexto, por diversas vezes os seus livros foram escolhidos para várias fases e edições do Concurso Nacional de Leitura. Milhares de crianças e jovens portugueses tiveram o primeiro contacto com o autor dentro de uma sala de aulas, alguns deles “levaram” as suas palavras até às finais das fases municipais e intermunicipais desse concurso. Na ESFGA, ainda este ano, os livros escolhidos para a fase de escola do CNL (2.º ciclo e Secundário) foram a História de um caracol que descobriu a importância da lentidão e O Velho que Lia Romances de Amor, de Luis Sepúlveda. Um concurso que este ano ficou a meio… e onde o nosso aluno André Pina, do 12.ºA, iria representar as escolas de Cascais na fase intermunicipal do distrito de Lisboa, caso não estivéssemos em quarentena…
Abril de 2020, momentos e eternidade agora, levaram também Maria de Sousa, cientista imunologista, escritora e professora universitária portuguesa, vítima da mesma pandemia vÍrica.
Os versos finais do seu sublime poema “Carta de Amor numa Pandemia Vírica”, em que antecipa a sua morte, falam-nos de Amor, Esperança, Responsabilidade Social e Eternidade, sentimentos e valores supremos para Sepúlveda que, dessa forma, se manterá vivo através dos seus leitores.

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(…) “Na vossa sobrevivência,
A esperança da minha eternidade”.
Maria de Sousa, 3 de Abril de 2020

 

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Luis Sepúlveda, O velho que lia romances de amor

Antonio José Bolívar Proaño vive em El Idilio, um lugar remoto na região amazónica dos índios shuar, com quem aprendeu a conhecer a selva e as suas leis, a respeitar os animais que a povoam, mas também a caçar e descobrir os trilhos mais indecifráveis.
Um certo dia resolve começar a ler, com paixão, os romances de amor que, duas vezes por ano, lhe leva o dentista Rubicundo Loachamín, para ocupar as solitárias noites equatoriais da sua velhice anunciada. Com eles, procura alhear-se da fanfarronice estúpida desses “gringos” e garimpeiros que julgam dominar
a selva porque chegam armados até aos dentes, mas que não sabem enfrentar uma fera a quem mataram as crias.